SUSTENTABILIDADE: Reciclando o vidro - Parte 1


Na nossa série sobre sustentabilidade, abordaremos em dois tópicos a questão do vidro, um dos mais importantes materiais disponíveis no mundo, mas que, sem o devido cuidado e o uso racional, pode se tornar um problema sem precedentes para toda a humanidade.

UM POUCO DE HISTÓRIA

O vidro é um dos materiais que estão com o ser humano há mais tempo. Provavelmente a possibildade de trabalho com o material surgiu pela observação prática; quando os primeiros humanos observaram que os raios, ao se precipitarem sobre as areias da praia, produziam efeitos cristalinos no quartzo. Porém, tradicionalmente os fenícios, povo navegador, que, ao bservar o local onde acendiam fogueiras, perceberam o endurecimento e cristalização do material após a queima, que era o resultado do sobreaquecimento do Nitrato de Sódio. Os fenícios tornaram-se hábeis na confecção do material, tanto que a sua popularização possibilitou a produção de materiais excepcionalmente delicados, como os da foto abaixo:

Exemplos da qualidade do vidro fenício.
Aproximadamente em 100 a.C, os romanos também dominaram a técnica de produção de vidro e passaram a utilizar como adorno e como suportes de janelas, tal qual o uso mais comum atualmente. O vidro era soprado e rotacionado e assim se podia moldar de acordo com a necessidade de uso. O Estado romano, nessa época, já instituía impostos aos vidraceiros, prova da importância do material e da popularidade da sua utilização no mundo antigo. A técnica de soprar e girar foi popular no mundo até pelo menos o século XIX, e apesar de requerer muita habilidade, a técnica é bastante simples, como se pode verificar no vídeo abaixo:


Entre os anos 500 e 600 d.C, a técnica evoluiu, passando desde o vidro prensado em cilindros, até o vidro estendido, que consiste basicamente em produzir, em um cilindro enorme (mais de 3 metros de diâmetro), uma placa, que, em seguida era disposta em um forno e cortada, fazendo com que surgissem chapas de vidro: o vidro plano. A técnica possibilitou uma expansão incomum do material, que,na Idade Média tornou-se a fonte de riqueza de muitas famílias. O uso do vidro processado tornou-se objeto de lides industriais até o século XIX, provavelmente isso atrapalhou o desenvolvimento de técnicas mais completas, emperrando, por assim dizer, o desenvolvimento do uso do material. No século XIX, toda a produção de vidro no mundo estava polarizada entre Inglaterra, França e e Bélgica, esta última berço da chamada Técnica Fourcault, que consiste basicamente em produzir vidro sem as irregularidades resultantes do próprio processo de produção.

Atualmente, a técnica mais avançada para a produção do vidro é a de flutuação. Nela, a massa de vidro derretida literalmente flutua sobre o estanho também derretido e o resultado é um vidro limpo de irregularidades que rendeu ao seu fabricante a hegemonia no mercado. Pra conhecer como foi revolucionária essa técnica, leia este artigo aqui.

O PROBLEMA DO VIDRO

Vidro é praticamente eterno na natureza.
O vidro é um dos mais versáteis materiais que existem na atualidade. Se faz praticamente tudo de vidro hoje em dia. Porém, como todo material que se propaga em vantagens, a sociedade, com o uso abusivo, acaba convertendo em um risco à própria sobrevivência. Pois bem. Hoje, a exemplo do plástico, do papel e de muitos outros materiais, o vidro é considerado um poluente muito perigoso e constante na natureza. Para se ter uma ideia, uma simples garrafa de vidro leva mais de 10 mil anos para ser completamente absorvida pelo meio ambiente. São praticamente eternos tais utensílios. E o consumo é enorme! para se ter uma ideia, a média de consumo de vidro per capita no mundo é de aproximadamente 4kg. Nos Estados Unidos, esse consumo chega a singelos 11kg por pessoa e na Europa a 16kg de vidro o ano, com grandes chances de esse material ir parar de vez na natureza. No Brasil, os prospectos para a indústria da produção de vidro são excelentes ano após ano.

O uso racional e a reutilização do material são essenciais para a proteção e reversão da degradação ambiental, porque o vidro disposto irregularmente no meio ambiente, além de poluente pode representar um risco muito grande à saúde, quando podem cortar, ferir seriamente e matar.

REUTILIZANDO O MATERIAL.

Importante frisar que boa parte do problema pode ser resolvido de duas maneiras: o consumo racional e a reutilização. O consumo racional do vidro (e de qualquer material) consiste basicamente em comprar menos produtos cuja matéria prima de envazamento seja o vidro, porque a tendência é que se descarte esse material após seu uso. Muitas empresas, por exemplo, reutilizam os vasilhames de vidro, a exemplo das distribuidoras de Cerveja. Uma importante marca de refrigerante recentemente lançou uma versão retornável dos seus refrigerantes. Outra forma é a reutilização de materiais de vidro. Muito pode ser feito de maneira prática, sem nenhum artifício além da bora vontade em trabalhar com o material: usar garrafas de vidro como recipiente para guardar a água no refrigerador, aqueles copos de extrato de tomate, que podem servir de copo para a criançada, aquele vasilhame de geleia que pode ser utilizado para colocar água pro pet, etc.

Eu andei pesquisando e encontrei umas particularidades do material, que precisam ser esclarecidas a qualquer um que queira se aventurar no trabalho de transformar este tipo de produto em algo que possa ser útil e ainda pode evitar acúmulo de poluentes na natureza. Nessa primeira parte abordaremos basicamente estas particularidades, e como se pode contorná-las ou ainda, como se pode utilizar delas em prol de um trabalho mais eficiente.

A PREPARAÇÃO

Uma coisa que é necessária para que se possa ter um bom resultado no trabalho com o vidro é justamente a mais delicada etapa: preparar o material. Em geral, os artesãos podem trabalhar o vidro de muitas maneiras diferentes, então, a preparação também varia. Aqui somos práticos, então trabalharemos o vidro com a intenção de desenvolver métodos de corte no material, propiciando, dessa forma, uma maneira de reaproveitamento no dia-dia sem muito trabalho a ser feito.

Cortar o vidro é uma coisa delicada porque o material tende a ser pouco afeito a grandes estresses (pancadas) nem existem equipamentos simples que possam cortar o vidro do dia-dia, que geralmente vem em forma de recipientes arredondados. Nesse caso, acho conveniente explorar duas formas de corte que podem ser feitas diretamente em casa, sem a intervenção de nenhum outro material: a técnica térmica (por choque) e o uso de aparelhos.

O corte utilizando a técnica térmica é simples. Em geral, se utiliza o artesão de um barbante, um líquido inflamável (álcool, querosene, gasolina, etc.), fogo e água em temperatura ambiente ou gelada. Aquece-se o recipiente colocando o fogo no barbante, aguardando alguns instantes e, em seguida, mergulhando o vidro em água. O resultado é que a dilatação térmica provocada pelo calor, rapidamente se desfaz, rompendo o vidro em uma linha reta muito eficientemente. Essa técnica requer alguns cuidados óbvios, mas também é muito incerta: até que se atinja a perfeição com a mesma, são necessárias várias tentativas frustradas. Quer aprender? Cola no vídeo abaixo:


Lembrando: cuidado com o líquido inflamável. No momento da queima do barbante é importante que o seu recipiente esteja longe das chamas. Não faça como o rapaz do vidro. Utilize luvas e óculos de proteção para evitar cortar-se com possíveis estilhaços de vidro (nunca vi acontecer, mas é importante prevenir sempre) e, claro, cuidado com o fogo quando estiver cortando, para que não ocorram acidentes.

Aparelhos para cortar vidro compõem a nossa segunda técnica. Se o vidro é plano, pode-se optar pela compra de um estilete para tal. Eles têm prelo variado de acordo com a especialidade, milimetragem de corte, etc. E podem ser muito úteis, principalmente se tratando de vidros planos ou com cantos quadrados, como algumas garrafas de uísque. O da foto abaixo custa menos de R$ 10 e pode ser comprado clicando aqui.

Estilete apropriado para o corte de vidro plano.
O corte térmico tem o inconveniente de, na maioria das vezes, produzir cortes irregulares, muito tortos e trincos em boa parte da garrafa que se deseja cortar. Para resolver tais problemas, existem as máquinas para corte de vidro. Antes de mais nada, é importante explicar o princípio de funcionamento destas máquinas. Elas atuam pela imposição de calor ao vidro, e, na prática, são térmicas também. Porém, como utilizam-se de um fio de aço inoxidável aquecido pela eletricidade, via de regra, elas produzem um resultado muito satisfatório e o melhor: são muito rápidas e eficientes.  Existem vários modelos, mas a maioria foi inspirada nessa invenção aqui:


Não tem segredo. Qualquer pessoa que entender um pouco de eletricidade pode produzir a sua utilizando esses quatro blocos de argila, um lenço de papel (pra não danificar a garrafa), o fio de aço inoxidável e uma tomada. Lembrando que somente uma pessoa EXPERIENTE em eletricidade deve tentar fazer esse produto. Para quem quer cortar à perfeição a sua garrafa, pode comprar máquinas que são eficazes exatamente como a demonstrada acima.

Máquina para o corte de garrafas de vidro.
A máquina acima custa R$ 79,00 e pode ser encontrada seguindo este link. Ela tem a vantagem de cortar tanto garrafas redondas quanto quadradas. Pode ser encomendada em 110 ou 220v (não sei porque não pode ser bivolt), e pode ser utilizada por qualquer pessoa sem muita prática. É segura, é confortável e portátil. Quem tem projetos mais ousados poderia cogitar a compra de um equipamento desses. O meu eu já garanti.

CONCLUINDO

Agora que você já conhece um pouco mais sobre o vidro, já sabe que ele é bom, mas tem restrições, reta tão-somente usar a cuca para criar um projeto que integre a responsabilidade ambiental e o uso de vidro em condições de reciclagem. Para tanto, vou pensar em uma ideia legal e passo para você na parte 2 desse post. Se você quiser seguir a aba "Sustentabildiade", clica no nosso banner e cola nas demais que têm esse tema. Sem sombra de dúvidas o planeta agradece.

Ah! Lembrando que não importa a técnica, você precisará de lixa (fina e grossa) para a finalização, porque as arestas do vidro ficam muito cortantes após a realização do trabalho. Essas lixas são muito baratas (custam menos de R$ 5,00 em média) e você pode comprar em qualquer casa de material de construção.

Só isso por enquanto. Até a próxima!

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