Dia do Professor: comemorar ou lamentar?


Olá queridos leitores!

Eu adoraria estar aqui escrevendo coisas boas sobre professores, mas, infelizmente como todos sabemos, a coisa tá difícil: no Brasil, os professores são uma das classes profissionais mais desmoralizadas pelos nossos políticos que, por sua vez, primam em ser incompetentes e completamente irresponsáveis com os professores que tiveram em sua infância e adolescência, ou mesmo na vida adulta.

Pois é. Não bastassem os péssimos salários, os problemas de saúde decorrentes das exaustivas cargas horárias e condições de trabalho precárias, os professores enfrentam ainda a famigerada PEC 241, que, em suma, vai destruir com a educação básica no país, levando a gente pra um atraso ainda maior de vida e de educação.

Sinceramente, a PEC apresenta solução a um problema evidente: o fato de que o país está, mesmo com as contas no vermelho. Gastamos demais nos últimos anos e isso é impossível de negar, é como economia doméstica, ou você equilibra as suas contas, ou é uma questão de tempo até se tornar um caloteiro de mão cheia. O Brasil vive hoje esse limite entre o calote e o aperto de cinto nas contas públicas, aumentada ainda mais pela incrível falência moral que vivemos, e a divisão ideológica que, na minha humilde opinião, é o pior dos males.

Apesar de eu achar que o espírito da PEC é uma coisa boa, acho que ela precisa se limitar essencialmente ao que é considerado GASTO, desde que o mundo é mundo que educação, conhecimento, não é gasto, é investimento. Precisamos de melhores professores, de mais ensino técnico pra formar bons profissionais, de mais Educação Superior de qualidade (com métodos racionais de processo seletivo) para que tenhamos excelência em pesquisa, e de incentivo à extensão pra evitar problemas com profissionais alienados, e assim acabar com os desmandos de que somos vítimas diuturnamente, tão logo precisamos de produtos ou serviços que envolvam a intervenção de terceiros. Mas tudo isso custa dinheiro. E muito.

Mas, se precisamos economizar em alguma coisa, mesmo parecendo repetitivo, sugiro reformas à PEC. A começar pela tributação de grandes fortunas, uma possibilidade real dentro do próprio texto constitucional, só isso aí ia encher os cofres públicos com bons milhões. Poderíamos também por regras e legalizar o Jogo do Bicho, o ilícito mais tradicional e "amigo" dos apostadores brasileiros, e quem sabe legalizar o jogo de maneira geral? Poderíamos discutir também a possibilidade de tributação dos templos, e em bom tempo também a redução dos supersalários, que influenciaria de excelente maneira a nossa já sofrível realidade inflacionária. Sugestões muito boas não faltam. A falta mesmo é falta de boa vontade.

Deixem a educação em paz. Mais que um belo banner na página do Ministério da Educação, a melhor homenagem que um professor poderia receber hoje, seria a notícia de que sua carga horária de trabalho fora racionalizada, que a educação receberia os recursos dignos do aporte que tem no futuro do país e, claro, o merecido reconhecimento profissional. Isso sim, é o que o professor merece. Mais que flores. Mais que maçãs: um futuro em que possa atuar para construir da melhor maneira que souber, com as ferramentas mínimas.

Até lá, só nos resta torcer pra o bom senso prevalecer. Feliz dia dos professores, se puderem....


Até o nosso próximo post!

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