Espírito bom, espírito mau



Tenho um conhecido que é espírita. Acho que não é segredo aos meus leitores que sou muito favorável à doutrina espírita, pois, pelo menos pra mim, por meio dela, se consegue atingir verdades que , em muitos casos, são libertadoras. Entretanto, o espiritismo, como qualquer verdade, diga-se de paisagem, tem lá o condão de acordar umas pessoas e dormir outras para o que é o ser humano e quais as consequências dos nossos atos, bem como a nossa responsabilidade para com as demais pessoas no mundo.

Eu acredito que não estou no mundo só. Você também não está. Todos vivemos em uma comunidade, uma comunhão de ideias, pensamentos, ações e reações – por que não? – que nos entrelaça e nos torna, por assim dizer, um organismo social. Eu vejo que há mais aí. Existem também responsabilidades para com o nosso crescimento que só se aprende, e em consequência, só se aplica, quando passamos a exercer consciência sobre a  nossa condição de individuo social.

Quando vemos na TV imagens de atrocidades cometidas pelo homem para com o próprio homem, dentre elas basta destacar o poderio bélico das armas nucleares capazes de, com pouquíssimos investimentos relativos ao seu desenvolvimento frente a outras armas, são capazes de destruir, de uma única investida, praticamente todo e qualquer rastro de via humana da face da terra. Sim. São coisas que se precisa pensar. Que se tem que ver que, na verdade, não estamos apenas nos destruindo, mas destruindo também parte do mundo que só a humanidade pode ocupar.

Todavia, é mérito do pequeno, do subjetivo, nos tocar mais profundamente que as coisas que não mantém relação direta conosco. Assim, quando, dentro de uma ótica mais, digamos, espírita ,no contexto do avaliar constantemente ações e atribuir-lhes cargas de responsabilidades, somos também propagadores de verdadeiros genocídios emocionais.  Destilamos veneno em ironias que corrompem, pouco a pouco, a nossa comunhão e dos nossos co-partícipes de mundo. Não é o mau em si a raiz de suas consequências, posto que o caos – sua máxima expressão e antítese (conceitos filosóficos perfeitamente conciliáveis dentro desse prisma – existe espontaneamente em todos os rincões do universo. É a sua prática, a disseminação dele que nos faz, de verdade, sermos vítimas de nós mesmos.

Crer no espiritismo ou em qualquer religião não isenta nenhum ser humano da sua condição. Não cabe à religião redimir o homem se deste não partir o ensejo, a força de vontade de ter-se transformado em coisa melhor do que o que até então se manifesta. Dessa forma, trazendo a lição pra dentro do contexto social específico, temos que pessoas que deveriam se formadoras de opinião, propagadoras de boas ideias corrompem-se ante o teatro barato das falácias humanas cheias de proselitismo que, no fim, não dignifica o homem em enfoque nenhum de sua condição.

Conceber o mundo como o espaço de todos, ainda que denote, não implica necessariamente num apartheid, e que vivamos obrigatoriamente dentro da ditadura do arbítrio em comum. Somos também conscientes de que a manifestação plena do que nos caracteriza por humanos somente pode ser expressa quando é oriunda do contexto da coletividade. Nesse sentido, conheçamos, empreendamos a jornada rumo ao abraço de salvação entre nós e nós mesmos.

Cabe-nos a responsabilidade de sermos zeladores do mundo. Um mundo que não nos pertence, todavia, do qual dependemos sem sombra de dúvidas para viver. Por que não começar preservando as relações? Até quando triunfará o império do ódio e sua mais sutil manifestação na alma humana?

Citar grandes catástrofes em nada adianta se não tivermos a consciência de que elas são, não um ponto isolada numa dinâmica onde a perspectiva individual se inseriu e se tornou maléfica. Não existe o ditador solitário. Trilussa, poeta italiano, afirmava ser a contingencia de muitos zeros (seguidores) atrás de um número qualquer – exceto ele mesmo, claro – para transforma-se numa quimera de proporções inimagináveis.
É no insulto, na quebra de confiança, na traição, no medo que surgem aqueles que irão mais arde por em risco toda uma raça. Jamais esqueçamos de que o bem na perspectiva espírita tem tantas repercussões quanto o mal, mas que este possui força tal que é capaz de cegar permanentemente qualquer mente esclarecida.

Para finalizar, insisto em que, para lidar com o seu mau, apenas o seu bem basta. Xingar alguém não melhora a sua situação nem a de outrem, ao contrário, piora,  é na paciência e no entender que se pode, por assim dize atingir o mínimo rumo a menos erros no nosso próximo encontro neste planeta.

Silvio.
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