Quanto vale uma lágrima?


As pessoas não são como a matemática. Não se pode decifrar alguém, colocar numa fórmula, tampouco  quantificar cada um. Ninguém pode dizer quanto valho eu, quanto vale você. Sua vida, assim como a minha é uma página em branco e cada historia é escrita com um estilo especial. Não há histórias boas nem ruins, apenas histórias.  Acontece que costumamos nos desviar desse pensamento. isso acontece com todo mundo, cedo ou tarde, passamos a confiar de menos no nosso potencial, perdemos a visão de mundo e acabamos delegando a outros uma felicidade que deveria depender de nós mesmos. Muitas pessoas simplesmente se desacostumaram a viver só. Ninguém se ouve mais, quer porque passa  os dias atrás de uma imerecida atenção, ou porque quando encontra tempo para si, resolve entorpecer-se com muita coisa que não leva a nenhuma forma decrescimento. Põe-se um fone no ouvido, uma música alta e simplesmente se desliga do mundo. Pensamos menos em nós mesmos, mais no mundo e mais ainda do que esperamos dele. Somos espelho daquilo de que nos compõe por dentro.
Conheci pessoas cujas profissões tendem a enrudescê-las, causam-lhes tanto mal em virtude das atitudes que tomam nelas que, aos olhos do mundo são sempre grotescos, mal encarados ou muito limitados no plano da sensibilidade. Procurando bem, encontrei neles muita sensibilidade, respeito, veracidade. Em muitos, é verdade, não encontrei quase virtudes, mas em todos encontrei algum traço de humanidade. Cada pessoa tem um valor escondido. Para encontrar o seu, basta parar e ouvir a si mesmo.  Diz o brocado bíblico que a boca só fala do que está cheio o coração. O que você tem falado ultimamente? Que testemunho a sua boca tem dado de você? Para muitas pessoas são respostas difíceis de responder, pesadas demais para o orgulho de cada um.
Mas acontece que quando delegamos a nossa felicidade a alguém, paramos voluntariamente de nos ouvir e, pior, de gerenciar a nossa própria vida, acabamos inferiorizados pelos próprios entes a quem amamos. É um processo natural de incapacidade auto imposta. Acostumamo-nos ao delegar de sentimentos, porque em princípio é mais cômodo, mas, com o tempo, isso passa a ser um determinante, um limitador. Quem você é tem de ser definido por você mesmo, do contrário, é quase certo cair num hiato de vida que só levará a uma angústia constante e real.
Cada lágrima que cai do seu rosto é o resultado de um crescimento ou de uma constatação. Ambas as formas não tem preço, a primeira porque sempre lhe mostra um novo caminho, uma nova resposta às perguntas que você sempre fez, mas nunca conseguiu lograr êxito em alcançar; o segundo porque sempre é uma oportunidade ao questionamento, ao crescimento por meio de auto análise, auto crítica. Vale tudo para evitá-las, mas, cedo ou tarde elas vêm. Melhor que venham o quanto antes, pois seu aprendizado sempre é valorosa experiência de vida.
Cada pessoa escolhe o caminho que mais lhe apraz, pois, se o próprio Deus nos deu o livre arbítrio – e Ele mesmo se escusa de interferir nele – é de nossa responsabilidade cuidar da nossa vida como melhor nos agrada. Entretanto, não se pode culpar a Deus pela nossa omissão, nosso sofrimento é decorrente desse abandono, desse esquecimento de nós mesmos. Amar, estar perto de quem se ama, quase sempre é sinônimo de felicidade. Mas não pode ser, em si mesmo, o  desencadeante de toda forma de felicidade que vivenciamos. Nossos amigos são as pessoas que escolhemos para conviver. Não há obrigação da parte deles para conosco nem de nós para com elas de estar junto, de congregar, mas, mesmo assim, pelo simples amor fraternal, acabamos por nos ajuntar. Entretanto, cada vida é uma vida, cada história segue em rumo próprio, cada cabeça é um mundo.
Amores não são eternos. Amigos se afastam de nós e no final, ficamos apenas nós mesmos e a nossa consciência. Como prestar contas a nós mesmos no final? O que dizer à própria consciência quando formos estranhos a quem, de fato, somos? São questões que a maioria das pessoas simplesmente não levantam, passam pela juventude e pela vida adulta inconsequentes, passam por paixões, amigos, trabalho e todo o fardo que a vida lhes obriga a carregar  e não percebem o quão valiosas são a si mesmos. No final, a conta é alta e o saldo é parco. 
Somos estrelas de nossas vidas. Protagonistas, jamais coadjuvantes. Saiba tomar justas decisões e não tenha medo de errar, desde que em nome de princípios, de valores seus. Ame, mas ame a si mesmo, pois o primeiro amor é sempre o amor próprio. Chore, ria, brinque, e não se esqueça de fazer isso sempre em companhia de pessoas que estejam não apenas na sua vida, mas no seu coração também. Fazendo isso, pouco ou nada deverá, na sua velhice, a si mesmo quando se perguntar: qual o valor das minhas lágrimas?
Silvio
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