Carta de um homem aos seus amigos


Prezados amigos. Vocês são irmãos que escolhi em minha caminhada. Deram muito mais a mim do que eu a vocês, mas, ainda assim, me consideraram digno de estar em suas presenças. Agora que eu não encontro barreiras à nossa sincera expressão, dado meu coração envelhecido pelo tempo e pelo aprender das experiências que vivenciei – muitas delas com vocês – peço-lhes nestas palavras que não esqueçam o valor que tem um amigo diante de outro.
Sabem, nós somos diferentes. Mas as nossas diferenças não serviram de obstáculos à nossa caminhada juntos. Serviram como trampolim para nos lançarmos mais e mais longe nos objetivos que traçamos em nossas vidas. Irmãos, nossos próprios modos de ser, ainda que às vezes incompreendidos, são o que, em essência, nos definem. Por isso, só posso me dizer grato por ter tido da parte de vocês a aceitação, o carinho e o respeito , mas, mais grato ainda pela oportunidade de aprender com suas experiências, de poder observar em cada um uma personalidade única, a qual só me coube entender sem julgamentos.
Amigos, o aperto de mão sincero que muitas vezes trocamos, os abraços que compartilhamos nos momentos de dor ou de alegria, enriqueceram muito mais os nossos corações. Queria que, quando da minha morte, existisse já um meio de preservar para os meus filhos, netos e mais gerações – tantas quanto possível – aquilo que tais manifestações representam em mim. Sentir ainda é o maior tesouro que uma geração pode deixar a outra e é, sem dúvidas, a herança da qual nenhum ser humano prescindiria.
Nossos sorrisos, nossas lágrimas compartilhadas, medos e anseios. Tudo o que passamos juntos, nos fez crescer na comunhão dos nossos sentidos e estão em nós, como tudo o que forma o mundo é unívoco, ainda que de origem  diversa da que se percebe como produto final. A luz que nos ilumina, já iluminou outros amigos, mas a emoção que construímos, esta pertence exclusivamente a nós mesmos, sendo o nosso sagrado, aquilo que não podemos abrir mão, a parte mais intima da nossa personalidade.
Por fim, amigos, nossa mente precisa estar voltada aos nossos sentimentos mais que às nossas necessidades, pois prestamos contas à nossa consciência de tudo o que fazemos. Sejamos, pois, daqui em diante, mais sinceros e verdadeiros pelo amor que nos une fraternalmente. Sejamos compreensivos em expor nossas desavenças, sempre levando em conta a dignidade que cada um possui e, por fim, que saibamos guardar nos detalhes da nossa amizade, aquilo que nos transforma num só ente diante da sociedade, não para afrontá-la, mas para servir de exemplo em cada abraço de vida que nos faz seguros, amigos.

Sílvio
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