Troque de corpo


Quando perdemos a esperança de encontrar no outro aquilo de bom que certamente este ainda possui, quando perdemos a esperança e nos levamos a pensar que o melhor mesmo é ser idiota no mundo, produto de uma sociedade falha e de um jeito de pensar que não serve de outro caminho senão a própria nulidade dos nossos valores, então o melhor a fazer é trocar de corpo.
Somos o que pensamos, e o que pensamos irradia de nós para o mundo. “A boca só fala do que está cheio o coração” é o que diz a Palavra. Sei que muitos dos meus leitores me criticam – sobretudo os que me conhecem, por citar incontáveis vezes a Bíblia, em despeito do fato de não  ser assíduo freqüentador da religião. Mas, que posso fazer se é nela que encontro as maiores verdades? Voltando ao tema do post, geralmente formamos nossa personalidade não quando trabalhamos, estudamos ou damos algo físico de nós pro mundo, já que o mundo capitalista ignora tais manifestações quando sua missão é, na verdade, alienar, esquecer, entorpecer. Nossa personalidade se forma quando a gente está só, pensando no mundo, pensando em nós mesmo e nos outros.
Troque de corpo, pois, nesse sentido, quando você mesmo não for sua melhor companhia, o melhor mesmo é analisar-se de fora, tal qual expectador que procura o melhor ângulo de resolução de um quebra-cabeças.  Conflitos mentais geralmente advêm da nossa doença em se fazer cada vez mais mundo e menos pessoa. Cada vez mais seco em detrimento das vontades que temos e reprimimos constantemente. Nossos momentos sozinhos acabam tediosos e cansativos – preenchemos ele com tudo o que não é nós mesmos – e acabamos irradiando pro mundo uma freqüência que destrói todo traço de originalidade.
Por isso, quando o mundo tentar te engolir, fuja de si mesmo para os seus próprios pensamentos. Ainda que você possa não ser a sua melhor companhia no momento, quem sabe num analisar de pessoa, você não SE encontre? Nós damos muita chance pros outros, quando precisamos parar para ouvir e atender nosso corpo naquilo de que necessitamos. Nossa mente precisa do nosso corpo tanto quanto nosso corpo precisa alimentar-se.
Toque-se, sinta-se. Chore e se olhe no espelho. Se sorrir, faça o mesmo. Conheça cada linha no seu rosto, cada curva no seu corpo e não tema por mudar, se esta for uma necessidade SUA, não uma exigência mercadológica. Descubra o prazer de ser você mesmo. Descubra-se e surpreenda o outro na sua descoberta. Somente sublimando aquilo que somos, podemos em algum momento, tocar na intimidade do outro, sendo, portanto, veiculo de comunicação corpórea tal qual a água, que preenche nossos corpos do cabelo ao sangue e nos torna, por isso, seres vivos.

Sílvio
(silvio.superboy@hotmail.com)

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