Ouro é ouro


Não importa seus méritos, nem suas qualidades. As pessoas sempre tentarão te colocar num patamar abaixo delas mesmas. É um fato. Uma constatação. A gente precisa estar sempre consciente, entretanto, de que as pessoas que fazem isso nem sempre dispõem dos mesmos recursos emocionais que nós, ou os dispõem, mas preferem  matar essas idéias em prol do egoísmo que lhes consome o espírito.
Todos somos egoístas e em algum momento da nossa vida acabamos por ferir as pessoas que gostamos em nome do nosso próprio bem, ainda que esse bem não se reflita em algo duradouro. Dinheiro, posses, sentimentos de inferioridade em relação ao outro, inveja...  tudo isso está lá, bem escondido dentro de nós, e à primeira oportunidade aflora para, de uma vez por todas, causar um mal que leva muito tempo para ser revertido.  Na maioria das vezes, somos definidos pela capacidade de ceder ou resistir a estes sentimentos. Neste caso, a valoração é imediata.
Quando parei pra pensar sobre isso, observei que a maioria das pessoas não sabe o mal que causa a si próprio ao adotar uma postura fraca diante do mundo que a cerca. Quer dizer, nem todos estão, em rigor de necessidade, atrelados aos sentimentos  negativos como tábua de salvação, mas algumas pessoas se escondem por trás deles e as conseqüências disso são tremendamente negativas.
Quando me encontro num dilema entre eu e o meu próximo, penso no ouro. Mesmo o metal mais nobre, quando está na terra, é negro, opaco, sem nenhuma referencia, ainda que mais remota que seja, ao metal que mexe com a cabeça dos homens há milênios. Nessa fase, o ouro pode ser facilmente confundido com um minério qualquer de parvo valor. A pirita, falso ouro, ao contrário, brilha em esplendor, mostrando uma coisa que não é, mesmo quando nem foi tocada pelas mãos do homem.
Ouro é sempre ouro. Você é sempre um ser humano. É quando passa pela prova do fogo e do mercúrio que o ouro brilha, que se mostra altivo e se destaca em meio aos demais minerais. É o trabalho, não a natureza que faz com que o ouro adquira as melhores qualidades aos nossos olhos. Você é ouro. Suas impurezas lhe tornam opaco um brilho que, se for de sua natureza revelar, surgirá, ainda que no último instante da sua vida.
Nós estamos  diluídos entre diversos gêneros de pessoas, não para que nos voltemos em embates, em espírito bélico, sobre elas, causando-lhes um mal que as corrompe ao invés de sublimar. Quando trabalhamos dessa forma, enegrecemos nossos corações, e aqueles sentimentos que nos  tornam mais e mais ouro, são abafados, escondidos.
Eu não sou ingênuo e sei que para a maioria das pessoas, esquecer, perdoar é complicado. Para mim também o é. Certas mágoas a gente leva durante muito tempo conosco, como pesos. Entretanto, precisamos desses pesos, dessas marcas para viver no mundo. Se tivéssemos o espírito tão leve, ao ponto de dispensar tais agruras da vida, há tempo seriamos anjos, não seres humanos. Nossos erros estão aí pra nos ensinar, nos mostrar o caminho que causa mais dor. Nossas experiências, e não as dos outros, são os nossos melhores mestres.
Se você caiu numa situação em que não vê mais o caminho de volta, feche os olhos e pense: você é ouro. Não importa onde você está agora, se estiver vivo, ao certo alguém o resgatará e o levará de volta ao local que você merece no mundo. Lembre-se: ninguém joga fora o  anel de ouro que se rompeu, nem  descarta-se o engaste sem o diamante. Ao contrário, procura-se reatar o prejuízo o quanto antes, restituindo ao metal as propriedades que possuía antes do famigerado evento.
O ouro, não importa como esteja, sempre recupera o brilho e as propriedades que lhes foram pelo ourives despertadas. Assim também devemos ser. Ainda que o mundo não nos deixe ver, nossas qualidades, assim como os nossos defeitos, estão em algum lugar do nosso íntimo, esperando nosso sopro de vida para mostrar a ele quem – realmente – somos!
Silvio.
Silvio.superboy@gmail.com

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