Manifesto pela franqueza



Porque todos os homens têm o direito de serem respeitados em seus sentimentos, pela tentativa de recuperar a espécie da degradação moral que vem sofrendo ao longo dos últimos tempos, pela renascença da esperança no gênero, instituímos

I.  Por todo o respeito que as pessoas merecem,  a verdade,  ainda que não a mais confortável, ou a que desejamos ouvir, deverá prevalecer em todas as relações,pelo bem destas relações e pelo bem comum dos envolvidos individualmente no processo.

II .Ficam repudiadas as manifestações de amizade impulsionadas apenas pelo entusiasmo, se este não se manifestar em apreço em segundo plano pela pessoa alvo desta manifestação. 

III. Todos tem o direito de saber quem são e quem não são seus amigos. Ficam repudiadas as tentativas de mostrar-se um valor que não se tem. É instituído o tempo da Real Valoração e que sejam suprimidas todas as tentativas artificiais de manifestar apoio individual.

IV. “Eu te amo” passa a ser palavra proibida antes do primeiro ano de relacionamento, seja entre amigos, parceiros, casais, etc, pelo resgate da expressão, e pela necessidade de reflexão do seu significado e a real extensão dessas palavras que não são declarativas, mas imperativas.

V. Ficam postas em quarentena todas as amizades que começam pela internet. Ficam suspensos em tais conversas assuntos tais como família, dinheiro, objetos multimídia tais como fotos pessoais e vídeos em tempo real. Fica instituído a era do Calor Humano livre, sem as barreiras eletrônicas autoimpostas pelos próprios homens.

VI. Fica instituído o toque como a maior expressão de confiança. As mãos passam a ser o principal condutor ao coração, que não contará mais com a exclusividade do olho, que perderá o poder de veto na constituição de uma relação durável. A voz passa a ser considerada o segundo maior indicie de afinidade e exclui-se de uma vez por todas a lógica na manifestação da relação amorosa, que deverá ficar completamente entregue a encargo do coração.

VII. As manifestações de repúdio individual, se pautadas dentro do mínimo de civilidade devido, poderão ser manifestadas públicas, desde que sejam, em primeiro, postas às claras com o alvo da enoja; que todas as manifestações de repúdio sejam pautadas em verdades individuais, mas que seja amplamente instituído o direito de resposta quando tais verdades implicarem em ofensa moral ou em agressão a terceiros.

VIII Ficam autorizados todos os amigos traídos, todos os amantes traídos, a se reportarem com o rigor do sentimento aos que se deixaram perder a confiança. Se em situação íntima ou em locais apropriados, palavrões, injúrias e, se em condições de igualdade e em real valor de motivos, agressões físicas com vistas a externar a raiva serão permitidas, salvo se a dimensão destas transgredirem os limites da humanidade, implicando em morte ou invalidez para qualquer uma das partes.

VIII. Fica vetado aos traidores o direito de réplica, uma vez entendido que o sentimento, não a ação, ou o momento, deverão prevalecer em qualquer espécie de relação. Fica vetado também o direito de apelar para terceiros, haja vista que a traição é algo individual, sem o consentimento ou participação de outrem, que não o desejo e o objeto da traição.

IX. Todo homem tem o direito de expressar o que sente,  da forma que sente, desde que respeitosa com o segundo elemento a que se reporta. Nenhuma ação pode ser tomada, em termos de convivência, sem o amplo conhecimento de ambos os envolvidos. Viça expressamente proibido mentir, ainda que as conseqüências da verdade sejam duras para quem as ouve, ainda que a relação possa, mediante tal verdade fracassar. É instituído o valor da verdade suprema sobre a mentira ocasional.

X. A liberdade e a individualidade são os maiores bens que o ser humano possui, fica, pois, acertado a não ignorância em face dos modos de vida, mas fica liberado também críticas, desde sejam fundamentadas em padrões reais, aos estilos de vida e suas  manifestações na sociedade.

Todos nascem iguais perante a Lei. Todos nascem em igualdade de condições perante a natureza. Dissipar do homem a sua verdadeira dimensão espiritual é apagar a chance deste de se impor como parte no mundo, e não tão somente como mundo. Por isso, a verdade – como arma ou como escudo – deverá sempre ser aliada das palavras, dos gestos e das manifestações sociais para o próprio bem dos que convivem em comunidade.

Silvio
silvio.superboy@gmail.com 

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