Quando é hora de calar



Certo ditado latino nos diz que as únicas coisas nessa vida que não têm volta são a flecha quando disparada, a pedra quando atirada e a palavra quando proferida. Somos seres humanos e em nós é natural a necessidade de nos comunicarmos com o nosso próximo. Muitas vezes falamos tanto que nem damos a ele a chance de falar também. Fatalismos à parte, enquanto nossa necessidade de se comunicar nos coloca a todo momento em contato com os demais, pouca importância damos ao ato de silenciar.

Na nossa cultura, não sei se feliz ou infelizmente, calar, por vezes, é tido como um gesto de passividade, uma fraqueza. De fato, “quem cala consente”, é o que nos fala o dito popular. Essas coisas que não se aprende na escola nem nas universidades têm a força de tudo o que é forjado no seio da cultura, assim, servem também para ressaltar seus valores.

Acredito que o valor do silêncio bem direcionado e pelos motivos certos é tão forte quanto o melhor dos argumentos. Nossos atritos verbais só demonstram nossa imaturidade e incapacidade de aceitar as limitações do próximo, ao passo em que o silencio nos revela seu ponto de vista, angústias, medos e privações que, muitas vezes, acostumados a muito falar, deixamos passar despercebidos. Essa valiosa porta que o silencio nos abre serve como ponto de fuga para que possamos nos refugiar na paz da reconciliação. Silenciar é a primeira das renúncias de quem procura encontrar a paz com o outro, seja na vida familiar, na escola, no trabalho ou mesmo na rua.

Quando silenciamos para ouvir o que nos diz o mundo, encontramos respostas mais positivas, enxergamos defeitos que possuímos, porque eles nos chegam – quer calemos ou não – até nossos ouvidos. Podemos dessa forma, juntar as necessárias energias para reerguermos dos golpes que nossos amigos, familiares, maridos e esposas nos dão, ainda que de maneira inconsciente, ao longo de nossas vidas.

Mas praticar o silêncio é algo que requer muita paciência. Parece que o silencio é irmão da paciência, pois não é possivel que se cultive um sem que por perto esteja o outro. O simples ato de esperar engrandece, então, compreendemos que os benefícios do silencio, ao que ocorre com pouquíssimas coisas ao nosso redor, se observa já em primeiro contato com este!

Silenciar para pensar, para agir, para entender. É essa a idéia. Se o seu silencio tiver tais objetivos, é nobre, portanto,  siga adiante e prolifere a sua proposta. Enquanto muitos esperam a vez de falar, o silencio só exige de quem o usa, a disposição do momento corriqueiro.




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