Eu objeto



Antes eu pensava muito sobre a vida. A novidade é que só recentemente passei a enxergá-la de maneira diferente. Eu tinha o hábito de pensar na vida como se ela fosse um  caminho, um processo dentro do qual, um determinado rito iria, me levar a um ponto confortável. Engraçado porque eu percebi nesse mesmo tempo, que eu estive em muitas situações confortáveis. Na verdade, poucas vezes eu me afastei da minha zona de conforto, me dispus a um combate com o inesperado. Certamente o meu pensamento, a minha atitude diante da vida me fez agir daquela maneira, hoje tão reprovável.

Ao  pensar a vida como um objeto, uma coisa fracionável – cabendo perfeito dentro das doze horas do relógio – eu achava que mantinha o controle, que obtinha o conhecimento que me levaria adiante na minha trajetória. Pena que me enganei horrores. As pessoas vivem dizendo que a gente não tem atitude, que somos fracos, que não temos coragem de seguir adiante. Acho legal pensar o oposto. Às vezes,  se reconhecer, encontrar a si mesmo pode ser um caminho árduo e gratificante, que pouco ou nada tem a ver com o sucesso que se fez na vida, mas em muito contribui para o alcance das nossas ambições.

Sei que corro o risco de parecer um extremo otimista, com pensamentos fora do contexto da realidade. Mas a minha experiência com o mundo tem me mostrado pessoas bem sucedidas em extremo desequilíbrio, fazendo com que o esforço de se manter no auge seja a porta por onde atira-se a qualidade de vida, a felicidade.

Também não estimulo ninguém a viver uma vida de miséria e de tristeza, acomodação, esperando em vão por algo que ela julga conseguir pelo merecimento, pela bondade em si. Na verdade, acredito que a bondade em si já é um importante passo para o crescimento pessoal. Mas ela também tem de refletir em algo, do contrário, é oca, sem nenhum proveito pro mundo. Assim como precisamos andar na retidão, temos por obrigação dispersar essa retidão, esse pensamento otimista, realizador. A bondade, quando isolada em que a sente, acaba se convertendo em mal.

Vencer a vida é compreender, se conhecer e, sobretudo, usar esse conhecimento para encontrar o seu ponto de equilíbrio, que mais tarde o levará rumo a novos  desafios. Nem todos poderão vencer, mas mesmo os que não  vencem assinalam importantes características pessoais trabalháveis.

A vida não é um objeto, quando começamos a dispersar  tal pensamento, sem perceber, a gente acaba se tornando pessoas artificiais, frívolas ou gananciosas, verdadeiros pesos, que só alimentam a injustiça e o sofrimento mutuo, seja em matéria ou em espírito. 


Sílvio
(silvio.superboy@gmail.com)

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